6 de jun. de 2012

Deslizamentos

Gosto de deslizamentos:

o  vinho escorrendo pelas paredes  da taça

a chuva fragmentada em milhares de gotas na vidraça

o orvalho saltando de uma  pétala a outra

a espuma do mar desenhando nas tuas costas

a água cristalina, da jarra para o copo

a língua passeando entre um peito e outro

 o óleo derramado nas mãos  antes da massagem

a massa de bolo se acomodando na forma

o vestido escorregando e deixando teu corpo nu

a areia da ampulheta marcando o tempo

o leite fumegante caindo na xícara

e nós, patinando na direção do sol.

2 de jun. de 2012

Penumbra

Ontem
entre um gole e outro de chá,
na penumbra da sala de estar
nossas almas se aproximaram.
Entre elas
passava no máximo, uma formiga.
Mistérios da existência.
Guardo no peito
desde então,
o efêmero momento
em q tatuamos
na dimensão do invisível,
a palavra:
amor.

19 de mai. de 2012

Não sei

Da saudade
se fez poema.
Desse teu jeito,
um tanto gêiser,
um tanto bálsamo
também.
Tua presença
acelera  meus metabolismos,
abre meus poros
de onde verte toda a poesia.

Paixão apressada
já virou amor.
Tão denso,
palpável...
daqueles que chegam a dar medo.
Não de vivê-lo,
mas dele escapar por entre os dedos das mãos.

Saber o tempo certo da ampulheta
que me virou junto de ponta cabeça
e de onde escorrem os grãos de areia . 
Deslizo pelos acontecimentos
junto com um tempo
que me leva
a atravessar portais.

A vida perto de ti me engolfa.
Vou nessa onda.
Deságuo na corredeira.

Tenho meus botes e remos.
Não vou me afogar.
Não sei é se vamos nos encontrar.
ou isso já vem acontecendo?
nas intensidades...
No fundo não sei  para onde estou indo,
sei que vou.
E pela primeira vez,
é só o que importa.




6 de mai. de 2012

Paredão

Paixão que esbarra na impossibilidade
É que nem cascata que encontra um paredão
É rio represado que se debate
Criança que esperneia
É uma imensidão de energia sem ter para onde ir


Já decidi
Te quero
E um lugar na sua cama é meu
Não quero nem saber

Chego às três da manhã com lamparina na mão
E expulso de lá seja lá quem lá estiver
Pois eu sei e você sabe muito bem
Que entre nós há conexão, alquimia  e nossos abraços não dizem não

Vamos:
Abre essa porta
Eu vim para ficar
Pois é na tua vida que é o meu lugar
E é!

29 de abr. de 2012

Só haikais


Tuas  mãos em concha.
Nelas, meus seios repousam.
Eles, relaxam. Eu, me entrego.

Fome de dar amor
Meu coração
tina transbordante


Uma dúvida me assola:
uma gota de orvalho na pétala
é de alguma flor que chorou?

Nunca dou o bolo.
Às vezes faço um.
Aí sim.

Caminhas na minha direção
O mar emite marolas
Fico ensolarada

No elevador
Te sinto perto
Coração suingado
Sexsurge

Tributo

Era um livro vira lata
Não porque era,
mas porque o tratavam como se fosse
foi passando de mão em mão
até que o último a tocá-lo o tascou no lixo.
Entre papeis, trastes, restos e muita perambulação
acabou chegando num aterro sanitário
Mas como não era um livro qualquer
Foi parar em Gramacho
no maior aterro sanitário da América Latina
no Rio maravilhoso de Janeiro
Despejado junto a montanhas de lixo
diante de mulheres e homens catadores de material reciclável
Foi salvo da morte pelas mãos negras de um jovem
faminto de conhecimento.
Sentiu a maciez, o calor e o aconchego
Alguém o reconheceu!
Foi então que disse:
Não sou lixo
Meu nome é livro
Meu sobrenome?
Educação

Blefe

Não sei teu código de acesso
ainda
Se te farejar descubro
Se puder sussurrar no teu ouvido
te convenço
Se te recitar um poema, te trago para perto.
se beberes do meu vinho
rola.
Mas não te perturbes.
Nesse momento só te contemplo
e
estremeço ao ouvir teu nome
Afinal, não sou essa segurança toda
Sou um blefe
uma impostora
uma paixão ambulante
disfarçada de pessoa

27 de abr. de 2012

Hoje sou o vento

Sou hoje um vento manso
que entra pela tua janela
te acorda levemente
brisa da tua manhã


Embarcas apressado no carro
sorrateiro
dificulto que feches a porta
espalho-me pelo teu rosto perfumado
te bagunço
serei assim
um vento denso
veloz
quase um tufão na tua tarde


Quando tenso estiveres
no meio do teu dia turbulento
serei um sopro
que envolverá teu corpo todo
numa espiral
até sentires frio de mim


E à noite quando deitares nu sobre a cama
serei um vendaval rebelde
que não deixará
lençol algum te cobrir
não sobrará da tua epiderme
um poro sequer
por onde eu não tenha passado...

26 de mar. de 2012

Revelação

Quando te vejo
me revelo.
Sem querer
tudo em mim
se revela.


Diante de ti
perco o domínio
dos gestos,
tropeço nos impulsos.

Tua força interna me invade,
teu entusiasmo
se mistura ao meu.


Não sou mais a mesma.
Sou outra.
Sou tantas.
Sou milhares.

Pulverizada,
Sou pó de ouro,
purpurina,
menina!

Vulcânica

Não sei o q teus olhos dirão
Quando meu peito descontrolado
acelerar
E teus olhos ouvirem
Meu rebuliço interno
Não sei o q teus olhos dirão
quando minha boca
tentar disfarçar o desejo do beijo
Não sei o que tuas mãos pensam de mim
quando as minhas ensaiam uma aproximação
ou seguram uma a outra
na expectativa do abraço das tuas

A tensão do encontro
ativa minhas lavas
que escorrem em plena ebulição
Te esperar é uma tortura
A chuva que desaba
sobre as telhas
não amorna
os vapores que exalam de minha tênue esperança
de te ter diante de mim
uma vez mais
nessa noite de amanhã