29 de abr. de 2012

Só haikais


Tuas  mãos em concha.
Nelas, meus seios repousam.
Eles, relaxam. Eu, me entrego.

Fome de dar amor
Meu coração
tina transbordante


Uma dúvida me assola:
uma gota de orvalho na pétala
é de alguma flor que chorou?

Nunca dou o bolo.
Às vezes faço um.
Aí sim.

Caminhas na minha direção
O mar emite marolas
Fico ensolarada

No elevador
Te sinto perto
Coração suingado
Sexsurge

Tributo

Era um livro vira lata
Não porque era,
mas porque o tratavam como se fosse
foi passando de mão em mão
até que o último a tocá-lo o tascou no lixo.
Entre papeis, trastes, restos e muita perambulação
acabou chegando num aterro sanitário
Mas como não era um livro qualquer
Foi parar em Gramacho
no maior aterro sanitário da América Latina
no Rio maravilhoso de Janeiro
Despejado junto a montanhas de lixo
diante de mulheres e homens catadores de material reciclável
Foi salvo da morte pelas mãos negras de um jovem
faminto de conhecimento.
Sentiu a maciez, o calor e o aconchego
Alguém o reconheceu!
Foi então que disse:
Não sou lixo
Meu nome é livro
Meu sobrenome?
Educação

Blefe

Não sei teu código de acesso
ainda
Se te farejar descubro
Se puder sussurrar no teu ouvido
te convenço
Se te recitar um poema, te trago para perto.
se beberes do meu vinho
rola.
Mas não te perturbes.
Nesse momento só te contemplo
e
estremeço ao ouvir teu nome
Afinal, não sou essa segurança toda
Sou um blefe
uma impostora
uma paixão ambulante
disfarçada de pessoa

27 de abr. de 2012

Hoje sou o vento

Sou hoje um vento manso
que entra pela tua janela
te acorda levemente
brisa da tua manhã


Embarcas apressado no carro
sorrateiro
dificulto que feches a porta
espalho-me pelo teu rosto perfumado
te bagunço
serei assim
um vento denso
veloz
quase um tufão na tua tarde


Quando tenso estiveres
no meio do teu dia turbulento
serei um sopro
que envolverá teu corpo todo
numa espiral
até sentires frio de mim


E à noite quando deitares nu sobre a cama
serei um vendaval rebelde
que não deixará
lençol algum te cobrir
não sobrará da tua epiderme
um poro sequer
por onde eu não tenha passado...